sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pesquisas e legitimação

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Fundação Parque Tecnológico Itaipu, Instituto Polo Internacional Iguassu, Secretaria Municipal de Turismo e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) anunciaram a realização de mais uma pesquisa, junto a população de Foz, de fundamental importância para o controle privado do setor turístico da cidade.

"A pesquisa começa dia 30 de janeiro e vai até dia 05 de fevereiro e tem o objetivo de promover o processo de educação e de percepção da comunidade local, diante da ação do turismo, de sua importância e papel, para a região de Foz do Iguaçu e região. (..) O primeiro passo será a aplicação de uma pesquisa para diagnosticar a percepção dos habitantes em relação ao Turismo no Destino Iguaçu. O diagnóstico servirá como subsidio para a implementação das atividades de sensibilização". (Click Foz, 27 de janeiro)

Nenhuma palavra sobre os ridículos salários pagos pelo setor na cidade, sobre a criação de mecanismos de discussão, controle e gestão popular de uma das mais importantes atividades econômicas do município, sobre a criação de garantias efetivas de redistribuição dos ganhos oriundos de anos de investimentos públicos, como os que realizam a Prefeitura de Foz do Iguaçu, Itaipu, Fundação Parque Tecnológico Itaipu (mantida com o dinheiro e a estrutura da Itaipu), Secretaria Estadual de Turismo e Ministério do Turismo.

E assim os donos da cidade continuam com a simpatia da imprensa regional, sempre competente em manipular, com textos, som, luz e imagens, nosso orgulho por nossos atrativos turísticos - e com ele apelar para a participação popular em projetos e campanhas que muito pouco nos favorecem. Uma verdadeira entidade política, garimpando casos isolados de sucesso e empreendedorismo para provar o quanto estão certos em promover esse torpe raciocínio ideológico.

Temo que essa pesquisa só visa legitimar a dar continuidade a um modelo anti-democrático, injusto e cruel, numa região com altos índices de desigualdade, violência e idealização. Cheira a pesquisa viciada e que não atenderá, em seu modelo metodológico, epistemológico e indagativo, os reais interesses comuns.

Em Foz, parte significativa dos recursos públicos são concentrados, a atenção midiática é desviada, a geografia urbana e ambiental (como no caso do Parque Linear) é alterada e todos trabalham para que uma casta - e os satélites que orbitam ao seu redor, como os jornalistas - encha os bolsos o quanto puder, para só dai o restante da população acessar, minimamente, o que sobrar.

Definitivamente, temos que defender e construir um modelo público de gestão que torne o turismo fonte de redistribuição das riquezas na região, e não de permanente concentração.

Fábio Dondoni
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